O comércio entre Brasil e China é uma das relações econômicas mais significativas no cenário global.
As exportações brasileiras são dominadas por commodities como petróleo, minério de ferro e soja, que representam cerca de 80% do volume enviado ao país asiático. No entanto, a distância de 16 mil km e o tempo médio de transporte de 45 dias impõem desafios logísticos e custos elevados.
Neste artigo produzido pela Baxisina, vamos analisar os principais desafios, iniciativas para otimizar o transporte e o impacto da infraestrutura nos custos.
Quais os principais desafios logísticos?
- Dependência do modal rodoviário
O Brasil ainda depende fortemente do transporte rodoviário para o escoamento de commodities, com 54,2% da carga agrícola transportada por caminhões. Em contraste, o modal ferroviário responde por apenas 33,4% e o hidroviário por 12,4%.
Essa dependência encarece a logística: o custo do transporte interno pode representar até 70% do valor total para levar soja do Mato Grosso até a China.
- Capacidade portuária limitada
Os portos brasileiros operam próximos ao limite de sua capacidade, com 91,3% da infraestrutura voltada para o escoamento de grãos. Isso gera gargalos logísticos, especialmente em momentos de safra, aumentando a demora nas exportações e os custos operacionais.
Além disso, a falta de armazéns adequados impacta a eficiência do escoamento, gerando filas de navios e custos adicionais para os exportadores.
- Escassez de contêneires e rotas congestionadas
A crise global na distribuição de contêneires e os desvios em rotas marítimas aumentaram os custos e a imprevisibilidade no transporte Brasil-China. A dependência de rotas específicas também limita a flexibilidade logística.
Iniciativas para otimizar o transporte
1. Investimentos em infraestrutura ferroviária
Para reduzir os custos e aumentar a eficiência logística, investimentos em ferrovias têm se destacado. A COFCO International, por exemplo, está investindo R$ 1,2 bilhão em vagões e locomotivas para ampliar a capacidade de transporte ferroviário até o Porto de Santos. Esse investimento deve aumentar a capacidade em mais de 200% até 2026.
Projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) também prometem reduzir custos logísticos em até 30%, dependendo do volume transportado e da distância percorrida.
2. Ampliação da capacidade portuária
A construção de novos terminais portuários é outra estratégia crucial para otimizar o escoamento das commodities. Um dos exemplos mais relevantes é o terminal STS11 da COFCO no Porto de Santos, previsto para entrar em operação em 2026. Esse novo terminal deve aumentar a eficiência e reduzir os custos operacionais no transporte de grãos.
3. Parcerias Sino-Brasileiras
A China tem ampliado investimentos estratégicos no Brasil, principalmente no setor ferroviário e portuário, como parte de sua política de segurança alimentar e integração logística. Esses investimentos ajudam a modernizar a infraestrutura brasileira e reduzir os gargalos na exportação.
Impacto da Infraestrutura nos Custos
- Redução dos custos internos
A modernização ferroviária tem um impacto direto na redução dos custos operacionais. O transporte ferroviário pode gerar uma economia de 5% a 30% em relação ao modal rodoviário, além de reduzir as emissões de gases poluentes e desafogar as rodovias.
- Competitividade Internacional
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos em sua infraestrutura logística. Os custos logísticos representam cerca de 17,6% do PIB brasileiro, muito acima dos padrões internacionais. Para efeito de comparação, a China possui cinco vezes mais linhas ferroviárias e seis vezes mais hidrovias que o Brasil, o que reforça a necessidade de investimentos no setor.
Logística de exportação Brasil-China: de desafios a grandes oportunidades
A relação comercial entre Brasil e China oferece grandes oportunidades, mas também apresenta desafios logísticos significativos. A modernização da infraestrutura ferroviária, a ampliação da capacidade portuária e o fortalecimento das parcerias bilaterais são essenciais para reduzir os custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
Com investimentos estratégicos e soluções inovadoras, o Brasil pode fortalecer sua posição no comércio global e garantir um futuro mais competitivo para suas exportações.